O documento apresentado pela Professora Ana Alexandra Oliveira, do Departamento de Agronomia da UTAD, foca-se nas estratégias essenciais para a recuperação de vinhas afetadas por incêndios, com o objetivo de assegurar a sua longevidade, potencial produtivo e a qualidade futura da produção.

  1. Avaliação de Danos: O primeiro passo crucial é uma avaliação rigorosa dos danos. A metodologia mais fiável combina a análise visual (observação de folhas e troncos) com a coloração da secção transversal do tronco. Um anel castanho nos vasos indica uma interrupção na circulação da seiva, o que pode levar à morte súbita da videira no futuro, mesmo que esta mostre sinais iniciais de recuperação. Outros métodos incluem a análise da viabilidade dos gomos ao microscópio.
  2. Intervenções Pós-Incêndio: As intervenções devem ser planeadas em duas fases:
  • Imediatas: É fundamental regar a vinha para garantir o conforto hídrico e remover folhas e lançamentos queimados para reduzir a competição por água e nutrientes, acelerando assim a recuperação da planta.
  • Dependentes do Ciclo Vegetativo: Antes do pintor, podem-se aproveitar ramos “ladrões” para rejuvenescer a videira. Após o pintor, deve-se aguardar pela rebentação de gomos dormentes. Se a regeneração ocorrer a partir do porta-enxerto, será necessário formar novamente a videira.
  1. Recuperação e Monitorização da Vinha:
  • Recomenda-se monitorizar a recuperação das videiras durante 6 a 8 semanas antes de tomar decisões sobre a poda de inverno ou o arranque das plantas.
  • Na poda, deve-se considerar um aumento da carga em cerca de 50% nas videiras danificadas para compensar as perdas. A transição de podas curtas para longas também pode acelerar o regresso aos níveis de produção normais.
  • A substituição da videira só deve ser considerada em último caso.
  1. Gestão do Solo Pós-Incêndio: Os incêndios afetam gravemente o solo, alterando a sua estrutura, aumentando a hidrofobicidade, reduzindo a matéria orgânica e tornando-o mais suscetível à erosão. As estratégias de mitigação incluem:
  • Proteção contra a Erosão: Utilizar a técnica de mulching (cobertura com palhas ou resíduos vegetais) e observar as parcelas após as chuvas para detetar sinais de erosão.
  • Recuperação da Fertilidade: Aplicar fertilização orgânica (composto, estrume) e mineral para repor os nutrientes perdidos.
  • Promoção da Atividade Microbiana: Incentivar a flora autóctone, semear coberturas vegetais ou recorrer à inoculação microbiana para revitalizar o solo.
  • Análises Periódicas: Realizar colheitas de amostras de solo para monitorizar o pH, matéria orgânica e níveis de nutrientes.

A mensagem final é de esperança, sublinhando que da destruição pode nascer uma vinha mais forte e sustentável.

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