União de Freguesias Vilares e Carnicães

População: 349 Habitantes

Dista da Sede de Concelho: 15 Km

Área: 20,13 km²

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Património: Igreja Matriz, Igreja de Maçal da Ribeira, Capela de Nossa Senhora da Graça, Capela da Broca, fonte românica da Broca, rocha com inscrição epigráfica paleocristã, sepulturas antropomórficas e vários lagares e lagaretas cavados na rocha, em Vilares e Maçal

Outros Locais: Miradouro, Museu Enográfico, parques de merendas, cabanas de pastores em pedra, árvore gigante sobre rocha, sede da Junta e da Associação Cultural e nascente de água sulfurosa (banhos)

Actividades Económicas: Agricultura, pastorícia, pecuária, panificação, construção civil, pequeno comércio e turismo rural

Artesanato: Bordados

Orago: Nossa Senhora da Graça

Festividades: Nossa Senhora da Graça (1º fim-de-semana de Agosto) e S. Brás – orago de Maçal da Ribeira (3 de Fevereiro)

Colectividades: Associação Cultural e Recreativa de Vilares, Associação Recreativa de Maçal da Ribeira e Irmandade das Almas

Distando onze quilómetros da sede do concelho e três da Estação de Caminho-de-Ferro de Vila Franca das Naves, linha da Beira Alta, estando integrada na Zona de Turismo da Serra da Estrela, na Região Demarcada do Queijo da Serra, bem como no programa Procoa, banhada por uma ribeira e alguns pequenos cursos de água que lhe conferem um carácter de fertilidade, situa-se a freguesia de Vilares na denominada zona da Cova de Celorico, onde sobressai a cultura do vinho e do azeite. Esta região natural pode ser considerada um sector da zona agrária mediterrânica-sub-atlântica, com evidente supremacia de espécies silvícolas médio-europeias, à qual pertencem os declives meridionais das alturas de Trancoso, abaixo de setecentos metros de altitude.
Constituem esta freguesia os lugares de Vilares, que apresenta a cota de 550 m, Maçal da Ribeira, que apresenta a cota de 500 m e Broca, que apresenta a cota de 740 m. Foi nesta última povoação que tudo começou, isto em termos de estabelecimento de comunidades humanas no território da freguesia. Ocupando uma posição dominante sobre a vertente do lado oeste da serra da Broca, perto da nascente da ribeira do Minhocal, existiu no cume do Cabeço da Broca um importante castro que se julga de fundação neolítica. Ali foram encontrados inúmeros vestígios de alicerces de casas circulares e de outras edificações com características daquele período, para além de restos de objectos de pedra polida e de metais provavelmente datados de eras muito recuadas.
De povoamento também muito antigo são as povoações de Vilares e Maçal, crendo-se que o mesmo tenha ocorrido pelos finais da dominação romana ou nos inícios do período germânico. Sabe-se que Vilares, cujo significado é hoje aldeolas ou lugarejos, correspondia naqueles tempos a pequenas fracções de “villas” agrárias, podendo a origem da sede da freguesia ser encontrada na exploração agrícola de uma ou mais “villares” aqui existentes. Também o topónimo Maçal será muito antigo, radicando a sua etimologia no termo latino matianale (terreno de macieiras, certamente não cultivadas então), derivando para “Mazanal” antes de evoluir para a forma definitiva.
A povoação é denominada Mazanal na doação feita em 1227 por Lucas Marcos e Maria Garcia ao Convento de Salzedas. O casal doa os seus bens em Mazanal, Vilae e Vale Azedo, tudo no termo de Trancoso, para poderem ser familiares do convento, ou seja, para que em sua vida e depois de falecidos os monges os tratem como se fossem também monges. Esta doação a Salzedas parece garantir ser a dádiva suficientemente importante para que os frades pudessem satisfazer os encargos impostos pelos novos familiares e prova ser a povoação de Maçal da Ribeira de grande importância. É uma época de grande movimentação de trocas e doações, havendo mais dois documentos, um de 1229, registando o escambo feito entre o mosteiro e o concelho de Trancoso, dando este àquele bens em Maçal por outro na Aguada, e outro, datado de 1244, pelo qual D. Gerardo de Trancoso e sua mulher D. Teresa Afonso fazem uma grande doação de bens em diversos lugares, entre os quais o de Maçal.
Pelo “Cadastro da População do Reino” de 1527, publicado pelo Prof. Magalhães Colaço, atribui a Vilares 60 moradores e 33 a Maçal da Ribeira. Já o arcipreste Abade de Santiago de Trancoso, na sua relação paroquial de 2 de Setembro de 1732 atribui a Vilares 86 vizinhos e a Maçal da Ribeira, 31.
Maçal da Ribeira foi freguesia independente com igreja paroquiada por um abade apresentado pelo padroado real. Cerca de 1836, a abadia de Maçal foi anexada a Vilares, recuperando a sua independência poucos anos depois, vindo a ser definitivamente anexada, tanto no civil como no eclesiástico, a 3 de Novembro de 1886. Vilares, cuja freguesia pertencia à coroa, era um curato de apresentação anual do abade de Santa Maria de Guimarães, da vila de Trancoso.
A freguesia de Vilares possui assim duas igrejas, a secular Igreja Matriz de Nossa Senhora da Graça, templo espaçoso de boa cantaria e arquitectura, considerado um dos melhores templos rurais do concelho, e a antiga Igreja Matriz de Maçal, da invocação de Nossa Senhora da Assunção, que, de acordo com a data inscrita nos seus muros e com a sua arquitectura se trata de um templo godo de fundação anterior à ocupação muçulmana da Península.
Da estatuária sacra há que realçar, pela sua raridade, simplicidade e singeleza a imagem de Santa Ana, também conhecida por “Santas Mães”.
Nas “Memórias Paroquiais”, os respectivos párocos falam das suas igrejas. O abade António, de Maçal, diz que “tem a igreja três altares, altar mor e dous colaterais. No altar mor está o sacrário exposto e a imagem de Nossa Senhora da Assumpçam e Sam Braz e nos colaterais no da parte direita está a imagem do Santo Estevam e no da esquerda a imagem de Nossa Senhora do Rozario”. Para o Pe. Francisco, de Vilares, a sua igreja “tem coatro altares, o da capella mor nam tem imagem de vulto e só nelle está o sacrário e de pintura; no lado do Evangelho está Sam Domingos e no da Epístola Sam Lourenço. Fora da capella mor e ó lado do Evangelho tem dois altares, hum de Nossa Senhora do Rozario e outro de Sam Miguel e o do lado da Epístola que chamam do Menino e está nelle mais imagens de Sancto António e de Sancto Sebastiam e asim estas como as outras dos colaterais sam de vulto”.
Foi esta freguesia berço de dois vultos notáveis, como sejam Frei Domingos de Santa Maria e Isidoro Faria. Este último notabilizou-se como pintor durante o século XVIII, a ele se devendo os painéis a óleo dos tectos artesoados das igrejas de Santa Maria de Moreira de Rei (1780), de Santa Maria de Guimarães de Trancoso (1788) e de Vilares, esta em data desconhecida. Isidoro Faria ficou conhecido como o “Pintor da Beira”.
Frei Domingos de Santa Maria foi um religioso descalço, sendo considerado por toda a gente como homem de grande virtude e ilustração. Professou no Convento de Monsaraz, no Alentejo, onde morreu em 1677, aureolado de uma grande fama de santidade.
Actualmente a criação das associações culturais e recreativas tem trazido, ultimamente, um grande incremento cultural quer fomentando o rastreio, recolha, classificação, limpeza e conservação do património existente quer fomentando e levando à prática inúmeras iniciativas tais como a realização de feiras do Livro, ocupação de tempos livres, tanto para residentes como para filhos de pessoas daí naturais e ainda a realização de convívios entre naturais e oriundos da freguesia e residentes nos mais diversos pontos do País. No campo recreativo há que salientar a recuperação dos jogos tradicionais, a realização da festa das vindimas, com grande recuperação etnográfica, a matança do porco que é um convívio muito participado.

 

 

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Património: Igreja Matriz e Solar dos Malafaias

Outros Locais: Paisagens naturais

Actividades Económicas: Agricultura, pecuária e pequeno comércio

Artesanato: Alfaiataria

Orago: Nossa Senhora da Calçada

Festividades: Santo António (fim-de-semana a seguir a 13 de Junho)

Colectividades: Associação Cultural e Recreativa de Carnicães

O topónimo Carnicães é formado por dois elementos: “carne” – limite da terra habitada por… – e “cães”, os mouros; significa simplesmente o limite das terras habitadas pelos mouros.
A sua igreja é um templo cuja fachada tem características românicas, embora edificada em época posterior a esse período, pois data do século XVI, já em pleno renascimento. A fachada, de cantaria, é encimada por frontão triangular, sobre o qual se levanta um campanário, onde se rasgam duas ventanas sineiras. No portal da entrada, aberto a meio, o arco de volta inteira é formado por grandes gomos. No interior, destaca-se o sacrário de características manuelinas (finais do século XVI), ladeado de talha barroca. No seu exterior, junto à capela-mor, encontram-se tampas sepulcrais de granito dos fins do século passado, pertencentes ao antigo cemitério paroquial.
No Largo do Terreiro localiza-se o antigo Solar dos Malafaias, com o seu distinto brasão. No interior sobressai a Sala dos Reis, em cujo tecto estão representadas as pinturas de D. Sebastião, Cardeal D. Henrique, os três Filipes, D. João IV, D. Afonso VI, D. Pedro II, D. João V e D. José I. No centro do povoado encontra-se a fonte românica, ladeada de um chafariz em granito do século passado.