União de Freguesias Vale do Seixo e Vila Garcia

População: 245 Habitantes

Dista da Sede de Concelho: 10 Km

Área: 20,53 km²

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Património: Igreja Matriz, Capela de Santo António, sepulturas antropomórficas, lagares romanos e ponte medieval

Outros Locais: Lugar do Outeiro

Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, serralharia civil, construção civil e pequeno comércio

Orago: Nossa Senhora da Conceição

Festividades: Nossa Senhora de Fátima (15 de Agosto) e Santo António (13 de Junho)

Colectividades: Não tem

Sobre a fundação das povoações que formam esta freguesia, Vale do Seixo, Carigas e Ribeira do Freixo, não existem dados concretos mas crê-se que desde muito cedo existiu aqui vida paroquial, assente numa pequena basílica erguida no século X. Este templo daria origem à ermida da invocação de Santa Maria, e que reedificada passou a Senhora-a-Nova.
Escreve Pinho Leal: “Tem um bom cemitério paroquial, construído no chão onde existiu a antiquíssima igreja da Senhora a Nova, e que fica a uns quinhentos metros a norte da povoação de Vale do Seixo. É tradição que esta igreja de Senhora a Nova foi em tempos antigos Matriz de muitas povoações que hoje são paróquias independentes, incluindo as quatro confinantes, a do Cerejo e outras”.
Vários autores têm escrito que o vigário da Cogula apresentava o pároco de Vale do Seixo, mas na sua “Memória Paroquial” o cura Manuel Costa diz que “a apresentação é do vigário de Santa Maria de Trancoso extra-muros”.

 

 

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Património: Igreja Matriz, capelas de Santa Bárbara e de Nossa Senhora das Necessidades, sepulturas antropomórficas e ponte romana

Outros Locais: Miradouro da Capela de Santa Bárbara e Sino dos Mouros

Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, carpintaria e pequeno comércio

Artesanato: Miniaturas em madeira e em ferro e rendas

Orago: Nossa Senhora dos Prazeres

Festividades: Nossa Senhora dos Prazeres (Segunda-feira de Pascoela), Santa Bárbara (móvel, Agosto/Setembro) e Nossa Senhora de Fátima (13 de Outubro)

Colectividades: Centro Cultural e Recreativo de Vila Garcia

Constituída pelos lugares de Freixial e Vila Garcia, esta freguesia situa-se numa região que, pelas suas características e ligações morfológicas, pode ser incluída na zona de Ribadouro.
Sobranceiro a um pitoresco vale por onde corre o Massueime, eleva-se o cume do monte de S. Pedro, donde se desfruta um soberbo panorama. Nesse ponto elevado habitam numerosos e gigantescos penedos, um dos quais, pelas suas invulgares características, se tornou famoso e conhecido pelas gentes de todo o concelho. De grandes dimensões e configuração de um colossal sino, foi baptizado pelo povo com o nome de Sino dos Mouros. Mas o aspecto sineiro não é a única das suas particularidades, já que pode desempenhar funções de um autêntico carrilhão de catedral. É oco, tendo na base uma série de furos ligados uns com os outros. Está apoiado noutras rochas, sendo possível transitar no seu interior. Se se introduzir uma vara num dos furos e se der uma pancada numa das paredes interiores do penedo, ele emite um som semelhante ao tanger de um verdadeiro sino. O mesmo acontece com todos os furos, mas os sons emitidos são sempre diferentes.
O povoamento do território da freguesia remonta a épocas bem remotas, como se pode inferir de alguns dos seus topónimos. Vila Garcia é seguramente um nome pré-nacional devido ao elemento “villa” que se manteve por falta de desinência genitiva na sua aplicação. Garcia seria o proprietário dessa vila de carácter agrícola. O topónimo Freixial tem raízes na flora silvestre (Freixo), derivando do termo latino Fraxinale. Mais antigo ainda é o topónimo Vela que dá o nome a uma quinta de Vila Garcia e se refere a um fortificado primitivo. O território da freguesia sofreu as mesmas vicissitudes da sede do concelho, ficando ermado durante a invasão muçulmana. O início do seu repovoamento deu-se após a reconquista efectuada pelo rei leonês. No arrolamento de 1320-21, as igrejas de Vila Garcia e de Freixial não são mencionadas, induzindo-se que a sua fundação terá acontecido por volta do século XV ou XVI.
Em meados do século XVIII, a igreja de Vila Garcia era um curato anexo à vigairaria de S. João Baptista de Trancoso, o qual apresentava o cura, que tinha uma côngrua de 7.500 réis além de dois alqueires de trigo e dois almudes de vinho. Existiam as confrarias de Nossa Senhora do Rosário, de Santo António e das Almas, tendo esta sido confirmada em 1751 pelo Dr. Caetano de Figueiredo Abranches, desembargador de el-rei. A Confraria das Almas iria adquirir uma grande importância, e dois anos depois da sua instituição já era formada por cerca de quinhentos associados. Há relativamente poucos anos, a irmandade ainda existia mas numa fase de grande decadência. Na Cape-la de Santa Bárbara, local de um lindo miradouro, havia outra confraria.
A igreja da freguesia independente de Freixial era um curato anual de apresentação do abade de Santa Maria de Trancoso, tendo o cura um rendimento fixo de 6.000 réis. O templo tinha três altares, o altar-mor da Senhora das Neves, o da parte do evangelho do Santo Menino e o da epístola de Nossa Senhora do Rosário. Na freguesia existia ainda uma ermida da invocação de Santo António, pertencente ao povo, e que no dia 13 de Junho era visitada por romeiros de diversas paragens, atraídos pela festa que em honra do santo se celebrava.
Sobre o Freixial escreveu o abade de Miragaia no século passado, dizendo que a povoação era pobre, triste, com pouco vinho, azeite e cereais escassos, sendo as habitações negras e arruinadas. No mesmo texto, um pouco mais à frente, o abade Pedro Ferreira considera “o chão agradável de aspecto, prestando-se admiravelmente à cultura da vinha, do olival e cereais”, mas encontrando-se inculto pelo facto de “ser foreiro à grande Casa da Mordomia de Trancoso o os seus habitantes simples colonos ou servos da gleba”.
Parece que o erudito escritor se enganou, engano aliás que relativamente a Freixial não é único, como se verá. Os habitantes não eram colonos ou servos da gleba mas sim legítimos proprietários das terras que cultivavam, pagando foro àquela casa. O outro equívoco de Pedro Ferreira, aliás seguido pelo autor de “Panoramas do Distrito da Guarda”, reside na atribuição a Freixial do estatuto de antiga vila importante, com foral concedido por D. Sancho Fernandes, prior da Ordem do Hospital, em Abril de 1112, e foral novo dado por D. Manuel em 19 de Julho de 1515. É óbvio que o abade de Miragaia confundiu Freixial de Trancoso com Freixiel do distrito de Vila Real, vila que foi sede de concelho até 1836 e à qual foram atribuídos os referidos forais.
Ergue-se em Vila Garcia o solar que foi de João Diogo de Andrade com uma capela dedicada a Nossa Senhora das Necessidades. Comunicando interiormente com a residência, a qual conserva o característico alpendre, a capela foi fundada em 1756, data que se lê na torça da porta. Muito antiga é igualmente a Capela de Santa Bárbara, mas não existem dados concretos que permitam estabelecer o ano da sua construção e fundação.