União de Freguesias Torre do Terrenho, Sebadelhe da Serra e Terrenho

População: 401 Habitentes

Dista da Sede de Concelho: 15 Km

Área: 32,92 km²

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Património: Igreja Matriz, Solar dos Brasis, Solar Casa do Conde, capelas de S. João e do Calvário, alminhas, cruzeiros e fontanário

Outros Locais: Moinhos de água

Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, construção civil e pequeno comércio

Artesanato: Miniaturas em madeira

Orago: Nossa Senhora das Dores

Festividades: Nossa Senhora da Guia (15/20 de Fevereiro) e S. João (domingo mais próximo de 24 de Junho)

Colectividades: Não tem

Tendo pertencido ao concelho de Moreira do Rei até à sua extinção, a freguesia de Torre do Terrenho encontra as suas origens num castro lusitano sobre o qual foi construído um castelo medieval, não propriamente moradia senhorial, mas com fins puramente defensivos. Era a Torre, situada a 845 metros de altitude e que, como dizia o abade Manuel Cardoso em 1732, “teve este lugar o nome de torre de huma antiga torre que dizem ser athalaya dos Mouros, os quais, por tradição se diz tinha a sua villa ou domicilio em hum sítio que hoje chamam o crasto que fica do dito lugar da torre, para a parte do nascente huma breve distância, será a décima parte de huma legoa, de cuja villa se não acha no prezente tempo alguns vestígios; somente da dita torre existem ainda hoje os alicerces”. O topónimo Terrenho foi acrescentado a Torre para a distinguir das inúmeras localidades que possuem esse nome.
O povoamento da localidade é seguramente anterior à Nacionalidade, tendo sido incluída, na época da reconquista, no termo de Sernancelhe, vindo a beneficiar do repovoamento encartado daquela vila e seu termo. Também a povoação de Mendo Gordo terá sofrido as mesmas vicissitudes da sede da freguesia. A organização paroquial deve também remontar aos primeiros tempos da monarquia portuguesa, tendo a igreja sido taxado em 1321. Esta foi desde sempre uma abadia do padroado real, com os habitantes responsáveis pela apresentação do pároco.
À chegada a Torre do Terrenho, escreveu Hipólito Raposo em “Beira Alta”, que de imediato “nos intriga, entre arvoredo, um torreão setecentista rematado a pináculos”. É o fabuloso solar barroco, conhecido como o Solar dos Brasis ou Casa das Fidalgas, “primoroso testemunho da relacionada pomposidade luso-brasileira nos alvores de setecentos”. Contígua à casa, a bela capela da invocação de Nossa Senhora da Penha de França, com sua fachada toda em granito, onde uma lápide diz: “Esta capela a mandou fazer para si e seus herdeiros Luís de Figueiredo Monterroyo, capitão da Armada, guarda-mor e procurador dos quintos reais que foi nas minas de ouro. 1726-27”. Luís de Figueiredo encontrava-se, em 1703, numa galera ao largo da Baía (Brasil), quando um forte temporal ameaçou destroçar o navio e levar a sua vida e a da filha. Prometeu então a Nossa Senhora da Penha que se os poupasse, lhe faria erigir uma capela, rememorando o milagre.
A capela “é um esplendor do nosso barroco, lá está Nossa Senhora em apoteose, ladeada por festival de querubins, festões e grinaldas, a passarem-se também para as capelas laterais, tecto e púlpito numa exuberância rara, profundamente influenciada pelo tropicalismo sertanejo”. Ordenado sacerdote aos sessenta anos de idade, “logo ali sofremos com Luís de Monterroyo, a observar-nos da platibanda do arco triunfal onde faz duplamente retratado, na sua casaca encarnada e nas vestes negras da sua posterior ordenação, o dissipar da promessa que quis perene e está em vias de desaparecer. Como também assim vão perdendo testemunhos os dois soberbos ex-votos embutidos na capela-mor, que já mal retratam a tragédia-milagre”. Já no solar, “extasiamo-nos outra vez com o espantoso tecto do torreão, alardeando a espampanância do brasão dos Monterroyos, uma teoria de flores e galeria hagiológica, tudo suportado por quatro esforçados serafins-cariátides com penachos de índios do Brasil aos quais dão alento, em contraponto, os respectivos querubins-arautos”.

 

 

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Património: Igreja Matriz, capelas de Santo António e de S. João, alminhas, cruzeiros, Penedo de Alcaria e Penedo Carga de Alta

Outros Locais: Moinhos de água

Actividades Económicas: Agricultura, pecuária e pequeno comércio

Gastronomia: Doce lavagas

Orago: Santa Maria Madalena

Festividades: Nossa Senhora de Fátima (15 de Agosto) e Santa Maria Madalena (primeira quinzena de Agosto)

Colectividades: Não tem

Sebadelhe foi um categorizado concelho durante a Idade Média, com foral outorgado em 1220 por D. Afonso II, vindo a ser extinto em data incerta em finais do século XVII ou inícios do seguinte.
As Inquirições de 1258 citam a carta de 1220 e resumem os foros da “villa de Sabadeli”. Um dos privilégios de Sebadelhe era o de possuir senhor particular que seria um prestameiro especial diverso do rico-homem da “terra”.
O concelho tinha dois juízes simultâneos (Pero Domingues e Paio Viegas), de nomeação popular, como os próprios depuseram em 1258, o que marca certa importância medieval.
As Inquirições de 1290 assinalam a existência do concelho e julgado de Ssabaadilhi, onde não existiam então quaisquer honras, apesar de em 1258 terem sido citados alguns bens da Ordem do Hospital. A igreja era apresentada pelo próprio concelho de Sebadelhe, estando edificado na herdade real.

 

 

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Património: Igreja Matriz, Solar dos Condes de Avilez, Solar dos Condes de Leiria e Capela de Santo Amaro

Outros Locais: Barragem da Teja e reservas naturais de caça e pesca

Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, serralharia civil e pequeno comércio

Orago: São Martinho

Festividades: S. Martinho (11 de Novembro)

No testamento de D. Flâmula, vê-se que aquela nobre cita expressamente oito castelos, ao lado dos de Trancoso e Moreira, e anonimamente outros, sob a designação genérica de “penelas”, isto é, pequenas “penas” ou castelos sobre rochedos. Um destes é o de Terrenho, como se vê da repetição deles em 1059.
No século XVI, D. João III mandou fazer um traslado das Inquirições de D. Dinis, nas quais se situa a fundação da povoação de Terrenho no reinado de D. Dinis.
Com a divisão judicial do terceiro quartel do século passado, Terrenho passa a ser um dos três julgados do concelho de Trancoso.
Existe nesta freguesia o lindo solar dos Condes de Avilez, escondido por sebe de arvoredo, tendo à direita a curiosa capela quinhentista de granito datada de 1547, de cobertura piramidal e rematada por chapéu cardinalício. Na cerca há lindíssimos túneis de buxo, classificados de interesse regional.