União de Freguesias Freches e Torres

População: 593 Habitantes

Dista da Sede de Concelho: 10 Km

Área: 23,81 km²

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Património: Igreja Matriz, capela de S. Sebastião, capela do Senhor dos Aflitos, capela do Divino Senhor das Preces, capela de Santo António, Casa da Lousã, Casa dos Herdeiros Padre Eduardo Mendonça Falcão, cruzeiro, ponte romana e calçada romana

Outros Locais: Miradouro da Capela de Santo António

Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, panificação, produção de azeite e pequeno comércio

Orago: Nossa Senhora da Graça

Festividades: Divino Senhor das Preces (primeiro fim-de-semana de Maio)

Colectividades: Grupo Desportivo de Freches e Banda Filarmónica de Freches

E-mail da Junta de Freguesia: freguesia_freches@iol.pt

Foi esta freguesia muito importante nos tempos romanos, pois aqui passava uma via militar. Na encosta entre Freches e Fiães pode ver-se ainda um troço dessa estrada, o qual se encontra em razoável estado de conservação e apresenta lajes de dimensões regulares. Moreira de Figueiredo e o general João de Almeida referiram este facto, tendo o último escrito que “a estrada militar da Guarda a Trancoso bifurcava-se na Ponte do Ladão, da estrada da Guarda a Aguiar da Beira, passando depois pelas povoações de Baraçal e Freches”. Além destas e outras referências bibliográficas, também a toponímia é elucidativa: Quelha, Calçada, Seixo e Rossaio.

A freguesia pertencia à coroa e o padroado real apresentava o vigário, que tinha uma côngrua de quarenta mil réis. No “Catálogo das Igrejas do Reino” de 1320-21, a igreja de Freches era mencionada como uma das sete existentes no termo de Trancoso, isto para além das da vila. Por carta de 20 de Maio de 1516, a igreja de Santa Maria de Freches foi feita comenda da Ordem de Cristo, sendo reservado ao seu reitor uma quantia de sessenta cruzados para o seu sustento. Contudo, a bula de Leão X, de 17 de Julho de 1517, revogou essa reserva. Em 1835, o pároco de Freches, por ser contrário ao novo regime liberal, faltou à procissão que anualmente se realizava na vila. A Câmara de Trancoso, em acordão de 18 de Junho, viu-se forçada a puni-lo com uma pesada multa.
Na segunda metade desse mesmo século, concretizou-se a maior aspiração de Freches até então. Foi na sessão de 12 de Agosto de 1869 que a câmara deliberou construir o ramal de Freches à estrada de Celorico, o que só se viria a efectuar em 1875. Poucos anos depois, uma resolução camarária de 27 de Fevereiro de 1882 aprovou um plano para cobrir todo o concelho com uma rede de escolas. Quase todas as freguesias foram abrangidas, não sendo Freches contemplada pelo plano, pois felizmente já desde há alguns anos que possuía duas escolas.
No século XIII e início do seguinte, fizeram-se aqui uma série de doações ao Mosteiro de Salzedas, do que se depreende serem estas terras de gente importante. Em 1229, Lucas Marcos, também conhecido pelo cavaleiro-vilão D. Lucas, e sua mulher Maria Garcia fazem doação de bens em Freches. Em 1241, João Peres Portela e Elvira Vermudes, sua esposa, talvez nobres, doam os seus bens de Freches para obter sepulturas no mosteiro. Em 1294, D. Sancha Rodrigues, viúva do rico homem D. Pêro Ponço, que tivera a tenência de Trancoso, larga ao mosteiro os bens que possuía em Freches e que o falecido marido lhe havia deixado em vida. Em 1304, o mosteiro recebe mais bens aqui na freguesia, doados por Fernão Rodrigues e que haviam sido de D. Pêro Ponço.
De nobreza falam também os dois palacetes brasonados, a Casa da Lousã, da antiga família Calheiros, em primorosa cantaria, e o da família Mendonça Falcão, com uma capelinha da invocação de Nossa Senhora de Fátima.
Freches foi berço de Madre Francisca da Conceição, que no Convento de Santa Clara de Trancoso foi exemplar freira na piedade, na penitência e na caridade. Faleceu em odor de santidade e com fama de milagrosa. Como escreveu o vigário da Igreja de S. Pedro, Manuel Rebelo, aos 14 de Maio de 1711,“Abrazada nos incêndios do amor Divino morreu para viver esta ditoza Fenis”. E tecendo-lhe as mais elevadas homenagens: “Oh! Como se lastima o Coraçam na memoria desta perdida Joya! Mas oh como se inflama a Alma na perda desta ganhada prenda! Foi Sancta, e nem ha outra Couza, por que assim o ha de abonar a igreja. Foi milagrosa na vida, e na morte, por que assim os testemunham estranhos sucessos”.

 

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Património: Igreja Matriz, capelas de S. José e de S. Marcos e Casa do Quintal Gonçalves

Outros Locais: Miradouro de S. Marcos

Actividades Económicas: Agricultura, pecuária e pequeno comércio

Orago: S. José

Festividades:  S. José (19 de Março) e Santo Amaro (15 de Janeiro)

Colectividades: Não tem

Esta freguesia é constituída pelas povoações de Torres, situada sobre um pequeno outeiro na margem esquerda da ribeira de Carnicães, e Frechão, antiga freguesia independente há muito extinta, abrigada à sombra do monte de S. Marcos.
Em Torres, existiu uma fortaleza medieval, que terá desempenhado papel de relevo durante a reconquista e nos primórdios da monarquia portuguesa. Antigo castro lusitano, a fortificação ocupava uma posição de grande valor estratégico, devido à sua situação, na boca dos desfiladeiros de Freches.
Por aqui passava obrigatoriamente o caminho dos invasores, e assim o fôra dos mouros em 1140. Pela ruína do castelo de Trancoso, devido à invasão, e por ser um ponto mais defensável do que a vila, para Torres se mudou o tenente Petrus Roderici, como se lê num diploma de 1174. A povoação alcançou então uma certa preponderância que perduraria até ao reinado de D. João I.
De referir nesta freguesia um benemérito – Manuel Martins – que nunca esqueceu Torres, sua terra natal, e que para além de a ter dotado com um belo edifício escolar, fez-lhe um legado, para que com o seu rendimento fosse fornecida uma merenda às crianças que frequentassem a escola.