Fiães

Fiaes brasao

População: 263 Habitantes

Dista da Sede de Concelho: 8 Km

Área: 10,03 km²

Orago: Nossa Senhora da Graça

A freguesia de Fiães está situada, no dizer do Padre Francisco José (1758), “em valle e planicie, a qual, suposto he planicie, fica no alto, do qual se descobre a villa de Trancoso, que dista huma legoa”. As raízes do topónimo Fiães mergulham no nome próprio Ulfila, de origem germânica, o qual foi aqui proprietário da “villa” rústica Ulfilanis.
Apesar de alguns autores ligarem a origem da povoação a uma eminência castreja, recentes estudos feitos por Maria do Céu Crespo Ferreira apontam noutro sentido: “A análise toponímica desta freguesia revelou-nos a existência de um castelo que ocorre no Livro de Matrizes Prediais Rústicas de 714 a 730 e 744 a 754. Além desta, existe também um micro-topónimo Casa da Moura, visitámos o local e nada detectámos que pudesse revelar qualquer vestígio arqueológico. Depreendemos então que o nome castelo teria sido atribuído ao sítio, o que acontece frequentemente pelas curiosas formações geológicas que ali existem e que a Casa da Moura mais não é do que uma simples concavidade rochosa. O castelo situa-se então numa crista granítica quase exclusivamente constituída por grandes blocos, alguns em equilíbrio instável e perigoso. Este caso é um exemplo, tal como tantos outros em que o nome de um local frequentemente revela a topografia do sítio e não o significado real do termo”.
O sítio do castelo está povoado de tradições e lendas relacionadas com lindas mouras e nas Casas da Moura ocultaram-se os habitantes de Fiães aquando das invasões francesas. Noutro ponto da freguesia foram encontrados restos de casas com arcos perfeitos em tijolo, telhas e objectos domésticos de cerâmica. Na Quinta das Seixas, junto à Capela de Nossa Senhora das Seixas existem sepulturas antigas, mas desconhece-se qual a sua origem. As cabeceiras são viradas a noroeste e apresentam a particularidade invulgar de um orifício no lugar dos pés.
O século XIX começou mal para Fiães, devido às invasões francesas. Fiães era ponto de passagem a quem se dirigia de sul para norte e vice-versa, e consequentemente os franceses acampavam aqui frequentemente, pilhando, queimando e espezinhando tudo o que podiam. Claro que o povo, sempre que podia, vingava-se, caso de um rapaz chamado Francisco Antunes e seu companheiro, ambos do Barrocal, que mataram um soldado francês, despojando-o da sua farda. O inverso deu-se com o jovem Baltasar que, exercendo funções de vigia, caiu um dia nas garras das tropas napoleónicas. Após diversas tentativas de resgate encetadas pelo pai, acabou o Baltasar por ser morto pelas costas no Tapadão, ali ficando totalmente nu durante oito dias, à mercê das aves de rapina.
Na casa que foi dos pais de Baltasar, guardaram-se até 1941 importantes documentos referentes às lutas liberais. Tratavam-se de cartas trocadas entre altas patentes dos exércitos realistas, o que pressupõe ter existido em Fiães uma pessoa de grande preponderância política à qual os documentos foram confiscados, a fim de ficarem bem guardados, ou para o informar do decorrer dos acontecimentos.

Atividades Económicas

Agricultura, pecuária, construção civil e pequeno comércio

Festividades

Sagrado Coração de Jesus (2ª quinzena de Junho), Nossa Senhora das Seixas (último domingo de Agosto) e Nossa Senhora dos Remédios (1ª quinzena de Setembro)

Colectividades

Grupo Cultural, Desportivo e Recreativo de Fiães

Património

Igreja Matriz, capela do Bom Pastor, capela de Nossa Senhora de Seixas, capela de Nossa Senhora dos Remédios, casa da capela e sede da Junta de Freguesia

Brasão

Escudo de prata, três asnas de verde, acantonadas em chefe, duas estrelas de sete pontas de azul; em campanha, ovelha de negro, realçada de ouro. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: Fiães - Trancoso.