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Santa Maria 

Santa Maria é uma das duas freguesias da cidade. Para além da parte urbana, constituem-na os lugares de Boco, Castaíde, Miguel Choco, Montes, Rio de Moinhos, Sintrão e Venda do Cepo. Esta última povoação foi outrora uma freguesia independente, sendo S. Tiago o seu orago.

No lugar de Venda do Cepo foi descoberto o mais antigo documento arqueológico da freguesia, o qual se revelou de grande interesse para o estudo da arqueologia no concelho. Trata-se de uma anta com apenas um esteio, tendo Maria do Céu Ferreira verificado que “o resto do monumento apresenta-se bastante destruído e responsável por este facto é a sua localização no quintal de uma casa, ora, a ameaça de destruição completa é evidente, além da acumulação de detritos na sua área”.

Em 1995, considerava aquela arqueóloga que “torna-se difícil, devido ao estado de destruição do monumento, caracterizar em pormenor o tipo de anta, os esteios estão já bastante fracturados, apenas o que julgamos ser o esteio da cabeceira continua de pé apesar da grande inclinação que apresenta. Parece-nos que a lage de cobertura da anta foi mexida e reaproveitada como patamar de uma casa”. Testemunho de outra época encontra-se junto ao tribunal. Trata-se de uma necrópole medieval com expressivo número de sepulturas antropomórficas.

Igualmente importante para o conhecimento da antiguidade do povoamento da freguesia é a sua toponímia. Topónimos como Vale da Laja, Chão da Laja, Vale da Estrada e Vale Escuro são deveras significativos. Mais interessante ainda é o topónimo Fraga do Mouro ou Fraga do Ladrão, o que presumivelmente revela um caminho muito antigo nas proximidades. Isso mesmo ficou comprovado depois de o Gabinete de Arqueologia ter procedido a estudo e limpeza do local, designando-o por Via do Sintrão.

Sintrão é o nome de um lugar situado ao nordeste da vila e que parece ter as suas origens numa Suintilani “villa”, derivação de Suintila. Este nome foi o de um rei visigodo, sem que isso dê margem a supor que se trata deste, apesar de ser provável já existir no seu tempo o mui vizinho castelo de Trancoso. Outro lugar da freguesia, este situado ao noroeste, é Castaíde, cujo nome provém do latim castaneli ou castaniti, locativo ou genitivo epexegético de “castanelu” ou “castanitu”. O topónimo Castaíde é da mesma origem de Castainço e Casteição, que existem nesta parte da Beira, apesar de fora dos limites do concelho.

Dentro dos limites da freguesia de Santa Maria, no seu frondoso campo, nasce o Távora, rio que ao longo do seu curso banha muitos sítios paradisíacos, cheios de sossego, que tanto podem seduzir pela cor um aguarelista como fazer arregalar os olhos de um caçador de rolas. Um dos primeiros borbutões de água do rio Távora brota na famosa fonte Nova, erigida em 1589 durante a dominação filipina. É uma curiosa construção de estrutura clássica em forma de templete grego, sustentada por sete colunas dóricas de granito. Apresenta um brasão esculpido na parede, sobre as duas bicas.

À data do arrolamento de 1321, a paróquia de Santa Maria de Guimarães era a mais importante e rica da vila, pois a sua igreja foi taxada em 150 libras para as despesas da projectada guerra contra os mouros, apresentando o valor mais alto de entre as nove igrejas existentes. Santa Maria de Guimarães era já no século XII a designação da igreja e deve ter sido importada da actual cidade de Guimarães talvez ainda antes do século XI. A razão desse nome era a posse da igreja pelo mosteiro vimaranense após o testamento de 960 legado à condessa Mumadona.

A igreja de Santa Maria devia obediência à colegiada de Santa Maria de Oliveira, em Guimarães, apresentando os Condes de Povolide o seu abade. Uma jazida desses condes, destruída recentemente, encontrava-se por detrás do altar do actual templo que em 1784 substituiu a igreja românica de 1171. No seu interior, é de salientar a decoração do tecto artesoado, de Isidoro Faria.

A Capela de Santa Luzia foi também uma das paróquias da vila já constantes do arrolamento de 1321. É um templo de estilo românico de transição, provavelmente do século XIII. Na fachada admira-se um portal de volta plena que pertenceu ao desaparecido Convento de Santa Clara e foi para aqui transferido em 1820. Uma cachorrada disposta ao longo da cornija percorre todo o exterior da cabeceira. O interior é de uma só nave, terminando numa abside triangular. 

Convento aqui existente, e do qual hoje resta apenas a igreja, foi o de Santo António de Trancoso, também conhecido pelo Convento dos Frades.

População: 1313 habitantes

Área: 36,33 km²

Anexas: Boco, Castaíde, Miguel Choco, Montes, Rio de Moinhos, Sintra e Venda do Cepo

Património: Igreja Matriz, Palácio Ducal, Convento dos Frades, Fonte Nova, capelas de Santa Eufémia e de Santa Luzia, Portas d’El-Rei, Portas do Prado, sepulturas antropomórficas, quartel-general de Beresford, Cruzeiro do Senhor da Boa Morte e Casa dos Arcos

Outros Locais: Serra do Pisco, Fraga do Ladrão e moinhos na margem do rio Távora

Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, construção civil e pequeno comércio

Artesanato: Tecelagem e bordados

Orago: Nossa Senhora. da Fresta

Festividades: Nossa Senhora da Fresta (15 de Agosto) e S. Brás (1º domingo de Fevereiro)

Feiras: Semanal (sexta-feira), S. Bartolomeu (anual em Agosto) e Santa Luzia (13 de Dezembro)

Colectividades: Grupo Desportivo de Trancoso, Grupo de Bombos “Zés Pereiras” e Agrupamento de Escuteiros

 

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